Capítulo I

Mais um reality show inJustus

Sou um apreciador de reality shows. Não tenho vergonha de admitir. Desde a “Casa dos Artistas”, acompanhei a maioria desse tipo de atração, passando por quase todos os Big Brothers até o tal de “O Grande Perdedor”, onde os hóspedes da casa eram pessoas acima do peso. Esse último acompanhei esporadicamente, mas na final do programa deixei de ir comer minha pizza de domingo para assistir quem seria o grande perdedor, ou melhor, ganhador.

Há muitas controvérsias sobre esse tipo de programa. Uns torcem o nariz, outros adoram. Amando ou odiando, acredito que os reality shows não devem ser tratados apenas como “espetáculos de entretenimento”. De uma forma ou de outra, esse tipo de atração gera conteúdo que serve para refl exão. Eu, como publicitário, tenho a necessidade de observar o comportamento humano, e vejo nos reality shows uma forma de entender um pouco mais as pessoas. Não somente aquelas 12 ou 14 que ficam confinadas lá dentro, mastambém as dezenas de milhões que acompanham os programas,pois a realidade “forçada” em que vivem os participantes, acaba muitas vezes refl etindo com naturalidade a realidade da sociedade.

Uma forma concreta de percebermos isso é avaliando os vencedores dos nossos BBBs – Big Brother Brasil. O perfil dos vencedores das cinco primeiras edições do programa são bastante parecidos. Todos são humildes, simples, simpáticos, carismáticos e principalmente não formaram “panelinha” para, aliados a outros participantes, armarem estratégias dentro do jogo. Nos outros Big Brothers que acontecem ao redor do mundo observamos uma realidade diferente. Os vencedores das edições européias são geralmente
aqueles que armaram uma estratégia, que utilizaram a inteligência, a astúcia e de fato encararam o programa como se fosse um jogo. Utilizar esse artifício em nossos BBBs parece ser um pecado capital. Nosso telespectador não admite quem forma complô. Isso porque temos uma cultura que preserva a boa índole, e observar a combinação explícita de votos entre os participantes é encarado como se fosse uma trapaça. Além do mais, o brasileiro de uma forma geral tem uma queda pelo mais fraco, ele torce por quem está em desvantagem, pelo “coitadinho”. Como havia falado anteriormente, esse tipo de programa reflete a realidade de uma sociedade, e sabemos, o brasileiro é um povo carente e sofrido. Por isso, aqueles participantes mais oprimidos funcionam como um espelho psicológico para grande parte da sociedade, numa esperança de que, mesmo com poucas condições e em situações adversas, possam um dia ter sucesso e vencer na vida.

Tudo isso pode soar muito bonito. Mas particularmente não concordo. Sempre achei os BBBs muito injustos. Enquanto a maior parte da população se apegava ao cara mais alegre e brincalhão eu torcia pelo estrategista, pelo cara que pensava e articulava o jogo. Então, toda noite de paredão era sempre decepcionante para mim. Quem eu queria que ficasse, era eliminado. E assim vai continuar sendo até o telespectador brasileiro se conscientizar que aquilo érealmente um jogo e que não é contra as regras combinar votos. O certo é que enquanto a população tiver nas mãos o controle de julgar e eleger os vencedores dos reality shows, eu terei que me conformar e continuar achando o resultado final injusto.

Porém, há um reality show em que essa percepção poderia mudar. Estou falando de “O Aprendiz” que teve sua segunda edição encerrada semana passada. Logo de cara ele se diferencia dos demais programas do gênero por ser mais que um reality show, e ser uma verdadeira aula sobre negócios, ou como o próprio Roberto Justus prefere definir, uma entrevista de emprego.

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe um comentário




Apoio

Apoio Apoio Apoio Apoio Apoio Apoio Apoio Apoio Apoio Apoio Apoio